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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Há folga ou não há folga?

O que é que António José Seguro viu no Orçamento de Estado para 2012 (OE12) que lhe fez pensar que haveria uma folga que permitiria ao Estado comportar um dos dois subsídios retirados aos Funcionários Públicos? O Governo dispõe de maioria absoluta no parlamento portanto não cede a iniciativas da Assembleia da República de alteração da proposta de Lei de Execução Orçamental que visem adicionar despesa ou retirar receitas ao Estado.

Porém, de acordo com o documento enviado pela Associação Nacional de Municípios a todos os autarcas, ao qual o Jornal de Negócios teve acesso, o Governo cedeu no OE12 relativamente às medidas que impediam os municípios de proceder à abertura de procedimentos concursais para a contratação de pessoal sem autorização do Ministro das Finanças... mais, o documento revela ainda que a tal receita extra para o Estado proveniente da reavaliação em alta dos prédios urbanos prevista no OE12 vai ser consignada, tal como acontecia com o restante IMI, para as autarquias locais. Os presidentes de Câmara lá souberam mostrar ao Primeiro-Ministro as falhas e consequências políticas futuras do OE12, algo que António José Seguro dificilmente poderia fazer... há que manter as bases satisfeitas.


http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=518267

Autarquias vão manter autonomia para contratar novos funcionários
 Municípios continuam a mandar na política de contratações e vão receber receita adicional do IMI.
O Governo recuou na proibição que havia imposto na proposta do Orçamento do Estado às contratações nas autarquias. Segundo um documento enviado pela Associação Nacional de Municípios (ANMP) a todos os autarcas, onde se explicam os resultados das reuniões com o primeiro-ministro, o Executivo vai eliminar a norma que proibia as admissões.

"Este Orçamento não tem almofadas nem folgas"
O primeiro-ministro deu hoje a entender no debate do OE2012 que o Governo não está disponível para recuar nos subsídios de férias e Natal, nem tão pouco na baixa do IVA na restauração.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Custos com a Educação (dados de 2010)

Já saiu o ranking das melhores escolas de 2011... porém, relativamente aos dados apresentados no ano anterior, gostaria de esmiuçar algumas questões, visto a anterior Ministra da Educação ter deixado escapar alguns dados relativamente ao financiamento das escolas.
Relativamente aos custos, tendo em conta os dados avançados pela anterior Ministra da Educação, Isabel Alçada, o custo médio por aluno em 2010/2011 nas escolas públicas é de cerca de 3.735€, gastando 85.513€ por turma, de acordo com dados do Gabinete de Gestão Financeira do Ministério da Educação[1]. Ora, escolhendo a escola privada laica com melhor resultado no ranking das escolas de 2010, o Grande Colégio Universal, verificamos que a matrícula de um aluno fica, aos pais, numa média de cerca de 3.354€ por ano (261€ por inscrição anual e seguro, mais 309€ mensais de Setembro a Junho)[2]. Contudo, há que referir que o ensino particular e cooperativo também é financiado pelo Estado, que, de acordo com Isabel Alçada, pagava, em média, cerca de 114.000€ por turma, ou seja, cerca de 4.979€ por aluno de escola privada[3]. Desse modo, o ganho total de uma escola privada por ano com um aluno é de cerca de 8.333€… ora se já é algo imoral desviar recursos do Estado para financiar privados, o facto de, por aluno, se receber mais no privado do que no público, roça o escândalo.
O ranking das escolas de 2010[4], baseado nas notas dos exames dos alunos do ensino básico e secundário, mostram uma realidade em que as escolas privadas estão melhor posicionadas que as públicas em termos de oferta de condições para o sucesso na aprendizagem. Nessa lista, liderada pelo Colégio privado de Nossa Senhora do Rosário (Porto) só entra uma escola pública no top-10, o Conservatório de Música de Calouste Gulbenkian em Braga (3º posto), sendo que o top-20 concebe apenas mais uma escola pública, a Escola Secundária Infanta D. Maria em Coimbra, perfazendo 10% de escolas públicas no top 20 do ranking das escolas do ensino Básico e Secundário.

Dentro do espectro das escolas privadas há que referir que o top-10 é composto, em 70% por escolas de cariz religioso, nomeadamente católico, o que deixa certas questões sobre a Constitucionalidade desse financiamento, pois a nossa Constituição consagra a separação da Igreja do Estado... o artigo 41º, no n.º 4, até refere que "As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto".



[1] Cf. LUSA – Governo vai gastar menos 439 euros com cada aluno. Diário de Notícias. [Em linha]. Lisboa: 8 de Fevereiro de 2011. [Consultado a 8 de Outubro de 2011]. Disponível na Internet <URL: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1779018>
[2] Para mais detalhes ver “Perguntas frequentes” em <URL:http://www.gcolegiouniversal.com/>
[3] Cf. LUSA – Governo vai gastar menos 439 euros com cada aluno. Diário de Notícias. [Em linha]. Lisboa: 8 de Fevereiro de 2011. [Consultado a 8 de Outubro de 2011]. Disponível na Internet <URL: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1779018>
[4] Cf. DN – Ranking Completo das Escolas Básicas e Secundárias. Diário de Notícias. [Em linha]. Lisboa: 16 de Outubro de 2010. [Consultado a 9 de Outubro de 2011]. Disponível na Internet <URL: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1686559&page=-1>

sábado, 15 de outubro de 2011

Trick questions for simple solutions!

A troika exigiu que o Estado português vende-se os monopólios naturais ou que fizemos algumas privatizações? Apesar de acreditar num serviço público de televisão... a RTP não é um monopólio natural, logo, deveria ser daquelas empresas numa primeira linha para a privatização... e não a Águas de Portugal! Só para dar um exemplo...

O Estado português é obrigado a fazer tudo o que vem no memorando? O objectivo do memorando da troika passa pela República portuguesa baixar o seu défice e a dívida pública, para poder retomar o crescimento económico (Ri-me!). Medidas como o baixamento da TSU estão a ser "colocadas na gaveta" pela insustentabilidade que trariam à Segurança Social... porque não esboçar uma privatização ou outra, daquelas empresas que não são monopólios naturais, e deixar "passar a água por debaixo da ponte"? Não é pela venda ao desbarato das empresas públicas que se resolvem os tais objectivos da troika... essa receita de capital é consumida num instante e ainda ficariamos com as suas dívidas!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Crónica de uma morte anunciada

O Estado, a banca e os cidadãos portugueses têm vivido acima das suas possibilidades... isto é claro e justo de dizer relativamente às medidas avançadas pelo Primeiro-Ministro Passos Coelho para o Orçamento de Estado! O que me parece também claríssimo é que este programa vai agravar, e muito, a recessão prevista pelo seu governo, deixando-nos mais longe de um eventual crescimento económico e de uma redução da dívida pública e do défice para o futuro... deste modo iremos falhar as metas propostas pela troika, o que deixa antever um Orçamento de 2013 ainda pior! 

O funcionário público levou mais uma "ceifada", aplaudida pela demagogia popular, que não percebe que uma Administração Pública capacitada, motivada e com formação, é um motor essencial para qualquer país desenvolvido... a Bélgica que o diga, pois têm sido os seus trabalhadores públicos a dirigir e a fazer crescer o país economicamente nestes ultimos tempos, sem o empecilho político, caído em desgraça! E combater a fraude fiscal? Ou seja colocar a boa parte dos portugueses que não contribuem para a colecta a pagar impostos. E desbloquear a Justiça? Um autêntico travão para o nosso desenvolvimento. Para isso, "tá de chuva..."

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A ingenuidade

Há umas semanas atrás, Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, lançou a ideia da instauração do imposto Tobin (Tobin tax) para 2014... um imposto aplicado sobre as transacções financeiras. "Uma questão de elementar justiça", pensará a maioria, pois nada melhor do que fazer a banca contribuir para a saída de uma crise que ela própria provocou ao obrigar os estados a injectar milhares de milhões de euros e dólares nos bancos para não deixar cair o sistema financeiro mundial.

James Tobin, nobel da economia em 1981, sugeriu a criação de imposto de 0.1% sobre as transacções financeiras internacionais em 1972 para reduzir a especulação nos mercados financeiros e financiar a ONU e os países em desenvolvimento. Ora, de acordo com o Jornal de Negócios, essa taxa aplicada ao mercado português em 2010 teria gerado uma receita superior a 147 milhões de euros.

Fica sempre bem a Durão Barroso propor este tipo de soluções no seio da União Europeia, "(...) it's time for the financial sector to make a contribution back to society"). Porém a sua ingenuidade não lhe permitiu perceber o porquê desse imposto nunca ter sido aplicado e o porquê de dificilmente vir a ser aplicado nas próximas décadas (isto sendo muito otimista). Se a União Europeia decidisse começar a cobrar esse imposto, não tardaria uma resposta célere e simples do sector financeiro... que passaria por passar esses custos para o cliente ou transferir as transacções internas para outros mercados financeiros, como o norte-americano ou japonês ou ainda para as off-shores,  "ferindo gravemente" a Europa só para poder escapar a este imposto. De acordo com o Financial Times, o imposto de transacção financeira atingiria não só os ricos, mas os pensionistas e as contas de poupança de toda a Europa, pois aplica-se a todas as transacções financeiras, mesmo as relacionadas com pensões e fundos de investimento.
Será possível todos os países do mundo acordarem uma base de entendimento para a aplicação deste imposto? Se pensarmos que a existência de algumas ilhas se deve ao facto de serem paraísos fiscais que permitem a fuga ao imposto e a ocultação de património, percebemos que esta ideia dificilmente passará de uma utopia.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Diário de Notícias: "Gestores não executivos recebem 7400 euros por reunião"

Numa altura em que, no próximo Orçamento de Estado, se está a incluir mais uma "ceifada" valente nos salários e subsídios (férias e natal) do funcionário público comum, que, mal ou bem, entrou no seu posto de trabalho através de concurso público, espero que o Governo tenha em conta os seus nomeados na hora de reduzir despesa salarial... os tais administradores não executivos das Empresas Públicas, para já não falar dos especialistas e secretários (vulgos assessores) que abundam e pululam nos gabinetes de Ministros. Quando o mar bate na rocha, quem se lixa é (só) o mexilhão!", ou seja, quem entra no Estado sem recurso ao cartão do partido...


Embora não desempenhem cargos de gestão, administradores são bem pagos.

Por cada reunião do conselho de administração das cotadas do PSI--20, os administradores não executivos- ou seja, sem funções de gestão - receberam 7427 euros. Segundo contas feitas pelo DN, tendo em conta os responsáveis que ocupam mais cargos deste tipo, esta foi a média de salário obtido em 2009. Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os "campeões" deste tipo de funções nas cotadas, sendo que o salário varia conforme as empresas em que trabalham.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

As Autonomias

Muitas pessoas referem que o futuro deveria passar necessariamente pela desconcentração e descentralização dos poderes do Estado, para deste modo agilizar e facilitar a tomada de medidas, assim como colocar os centros de decisão mais próximos dos cidadãos. Acredito piamente numa reorganização administrativa do(s) Estado(s) em Portugal, passando por uma uniformização da confusão dos vários modelos de organização territorial portuguesa (Ex: Governos Civis, CCDR, Administrações Regionais de Saúde, Direcções Regionais de Agricultura, etc....) consubstanciada na criação de regiões administrativas para Portugal, permitindo um emagrecimento do Estado Central à custa da atribuição de maiores responsabilidades e do respectivo financiamento para a Administração Regional e Local.

Será, porventura, impopular dizer algo deste género quando se colocou a descoberto, muito recentemente, os "buracos" financeiros gerados pela região autónoma da Madeira e quando se prevê que muitos dos municípios do continente terão também os seus "buraquinhos" por revelar. Contudo, acredito que existem certos aspectos do sector público que serão melhor geridos pelos habitantes da região ou munícipio pelo maior conhecimento que têm do terreno e dos assuntos que lhes dizem directamente respeito, permitindo uma Administração Estatal mais presente, democrática, actuante e com uma voz própria. Porém, vai depender das matérias, pois se em alguns casos haverá uma maior lógica, para as populações e território, um tratamento de âmbito nacional, outras fará mais sentido num âmbito regional e outras ainda a um nível local.
Deste modo, e dando alguns exemplos, faz sentido que a organização do trânsito e a limpeza das localidades seja tratada e decidida a um nível mais restrito, tal como a organização da rede de transportes públicos urbana e a rede de recolha de lixo devem ser pensadas a um nível intermédio e, por fim, assuntos de natureza legislativa e de cariz financeiro e orçamental devem estar sob o domínio da Administração Central. As regiões autónomas e os munícipios devem repartir as diversas incumbências que estão a um nível demasiado elevado na hierarquia de poderes, recebendo consequentemente uma maior fatia do Orçamento de Estado, mas deveriam perder a excessiva liberdade de que dispõem no que se refere a gestão dos dinheiros públicos e ao acesso ao mercado de empréstimos, mesmo com o prejuízo de perderem alguns do seus direitos adquiridos... mas lá está, ou estão connosco (Portugal), ou não estão. Para o bem do país é fundamental alterar o estado de coisas e que todos os "nichos de poder" estejam também empenhados nisso.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O meu nome é Bond... Euro Bond

Antes de mais o que são bonds? As bonds são obrigações, títulos da dívida pública que são colocadas no mercados e avaliadas pelas agências de rating quanto à sua confiabilidade. Deste modo as EuroBonds são títulos da dívida Pública da União Europeia, ou seja, comuns a todos os países da Zona Euro, o que difere da situação actual em que cada país tem as suas bonds no mercado, apesar da união monetária. 
Para garantir a estabilidade da moeda única é necessário tomar medidas para que a crise da dívida pública não continue a contaminar um país da zona Euro atrás de outro. O Eurobond vinha dar mais unidade na Europa no financiamento nos mercados pela emissão de obrigações comuns, mas, se por um lado, esse recurso beneficiaria os denominados PIIGS (Portugal, Ireland, Italy, Greece and Spain) relativamente à pressão actual que sentem nos mercados, por outro lado, a Alemanha e a França temem o risco de descida do seu rating pela associação a esses países, começando a pagar mais pelos empréstimos que efectuarem. Ora, tanto o Euro como a União Europeia já se encontram em risco se não forem apoiados os países-membros mais fracos e se não forem adoptadas medidas para uma plena união económica e fiscal. Actualmente, os Estados membros emitem os seus próprios títulos, cujo valor depende do seu desempenho económico, assumindo diferentes taxas de juro pela atractividade que geram nos investidores, complicando os empréstimos nos países em dificuldade que precisam de fortalecer a sua economia.
Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, tem-se mostrado favorável a esta solução, em que as obrigações, em euros, seriam emitidas conjuntamente pelos membros da zona Euro e assumir 50% do financiamento desses países. Teria uma taxa de interesse comum, ficando um pouco acima do caso da Alemanha, mas abaixo das taxas de juro de países como Grécia, Portugal e Irlanda, diminuindo o custo do capital para os países em apuros. Contudo, esta ideia tem sido abafada pelas dúvidas dos líderes da Alemanha, França e... de Portugal. Se é compreensível a posição de Angela Merkel e de Nicolas Sarkozy, já a de Pedro Passos Coelho, que se mostra contra a emissão de Eurobonds, é uma atitude algo irresponsável relativamente ao governo do seu país, algo que não é partilhado pelo seu "companheiro" de coligação, Paulo Portas.
Figura 1- Esquema de funcionamento dos Eurobonds (retirado de: http://bravenewfinance.wordpress.com/)
A atitude da Alemanha e França, embora compreensível, está caracterizada pela busca incessante dos seus interesses nacionais (embora os germânicos, como país exportador, beneficiassem enormemente de um Euro um pouco mais fraco), mostrando-se contra os fundamentos da construção europeia que esteve sempre mais preocupada com o bem-estar dos europeus  do que própriamente com o dos Estados. Quando se assinou o Tratado de Maastricht (ou Tratado da União Europeia) estava implicito, embora não se declarasse aos "7 ventos", que a Europa caminharia para um processo de integração cada vez mais forte, visível na união monetária e das comunidades, apesar da hesitação na união política que terá sempre de ocorrer em paralelo a uma união económica.

As Eurobonds não são a solução para todos os males dos países mais fracos da zona Euro, pois os problemas estruturais continuam lá e têm de ser resolvidos, mas a Europa terá de, tendencialmente, caminhar para uma harmonização económica, orçamental, fiscal e política, caso contrário corre o risco de se desintegrar, o que seria mais custoso para todos, inclusivamente para a Alemanha.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Jornal de Notícias: "Estradas de Portugal em risco de insustentabilidade financeira a partir de 2014"

Incrível como se gastam os dinheiros públicos tão levianamente... incrível como se "baixam as calças" aos privados nas Parcerias Público Privadas sem qualquer respeito pelo interesse nacional... incrível como não se fazem estudos de viabilidade económica e financeira, apesar da Administração Pública possuir quadros que os podem efectuar.

Não basta pagarmos tanta portagem e darmos tanto dinheiro dos nossos impostos a Construtores e Concessionários, como ainda teremos que salvar a empresa pública Estradas de Portugal para poder continuar a pagar aos privados pelos "negócios da China" que efectuou. Os sucessivos governos, desde Cavaco Silva, entenderam que dá votos fazer obra, e uma autoestrada que passe em cada concelho e em cada aldeia dá nas vistas (qualquer dia Portugal, visto do espaço, será um rectangulo de alcatrão ao lado de Espanha), para além do mais, há interesses particulares que se cruzam quando se adjudica ou se concessiona a obra a esta ou aquela empresa... o pior de tudo é que não se pode responsabilizar as pessoas que, ao serviço do Estado e com um ordenado principesco, cometeram actos de puro despesismo e de uma incompetência atroz.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=2004265

A Estradas de Portugal deverá enfrentar "sérias dificuldades" em financiar-se em 2013, correndo o risco de insustentabilidade financeira a partir de 2014, segundo um relatório da Inspecção-Geral das Finanças.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Diário de Notícias: "Madeira escondeu 'buraco' nas contas, o que é «grave»"


É grave, mas não é surpreendente! O Presidente do Governo Regional acha-se no direito de fazer tudo o que lhe "dá na telha", utilizando o dinheiro que tem e o que não tem, para manter uma espécie de regime despótico que visa manter os madeirenses num contentamento néscio através das múltiplas obras públicas, festas populares e pelo emprego público. Tenta controlar a imprensa através de ameaças, mas utiliza-a para fazer um discurso demagógico contra o continente, o "inimigo comum", cujos habitantes são designados de "cubanos" e que têm de ser "encavados" pelos madeirenses... pois Alberto João Jardim não passa de um grego! E peço desculpa, desde já, por estar a ser algo insultuoso para os habitantes da Hélade!
Figura 1- O "Tangas" deixa a Madeira de tanga.
Espero que os madeirenses "acordem" e mostrem ao presidente do seu Governo Regional o "cartão vermelho" pela sua irresponsabilidade e aldrabice nas próximas eleições regionais (2011), já que a justiça não lhe "deita mão" e porque a sua "tanga" já não tapa o "buraco". Carlos Abreu Amorim que o defenda agora da "injustiça" do INE e do Banco de Portugal...



O Instituto Nacional de Estatística e o Banco de Portugal acusaram hoje a Administração Regional da Madeira de ter omitido informação relativa às suas contas públicas, que consideram "grave" e da qual não têm conhecimento de casos similares.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

100 Milhões!

A extinção de 27% dos cargos dirigentes (cerca de 1700 lugares) e de 137 de entidades da Administração Central irá proporcionar ao Estado uma poupança de 100 milhões de €. Dito a seco, o Programa de Redução e Melhoria da Administração Central até parece bem... mas na realidade acaba por ser "uma gota no oceano" relativamente aquilo que nos comprometemos para cumprir os objectivos estipulados pela troika. 

Se pensarmos que o imposto adicional, referente ao subsídio de Natal, irá render aos cofres do Estado cerca de 1.025 milhões de €, que a antecipação do aumento do IVA no gás e electricidade renderá outros 100 milhões de euros até ao fim do ano, e que Portugal poderá ter uma poupança de cerca de 8.000 milhões de € pelo reembolso dos juros dos empréstimos europeus por via da abolição da penalidade de 2% prevista para o resgate financeiro, podemos perceber a escala de valores que está em causa e que vai ser necessário ao Governo cortar bastante mais, nomeadamente naquilo onde o Estado costuma gastar grande parte do seu Orçamento, ou seja, nas políticas sociais, na Educação e na Saúde.

As tão propaladas "gorduras e mordomias" ainda não se perceberam bem quais são... e espera-se que o Estado não fique mais leve à custa de uma menor eficácia e eficiência, mas claro que há recursos que podem economizados e geridos de outra forma, fazendo melhor com menos dinheiro, mas para isso é preciso tempo para formular um plano bem estruturado, para perceber o que se deve e o que não se deve fazer.

Parece-me evidente que alguns organismos do Estado, de modo a não perderem alguma da sua eficácia, terão de começar a cobrar serviços ou aumentar o custo dos mesmos para terem alguma receita adicional. As tão faladas rescisões amigáveis na Administração Pública poderão ser uma solução, mas para a qual não vejo resultados positivos, pois para além da indemnizações que terão de sair dos cofres do Estado para pagar a esses indivíduos, aqueles que aceitarem serão, geralmente, profissionais altamente qualificados, que facilmente arranjam trabalho no privado, uma ínfima parte do "bolo", ou aqueles que estão na idade da pré-reforma ou perto disso, constituindo-se como um encargo adicional num futuro próximo para o Estado.

Em suma, estamos em presença de um novo PRACE... a demissão das funções primordiais do Estado segue dentro de momentos...

FMI says what?!?

Em primeiro lugar, Poul Thomsen, líder do FMI da troika para a crise portuguesa, veio dizer que o que mais choca em Portugal é o inaceitável nível de desemprego entre os jovens... algo que "salta aos olhos de muita gente", mas que é completamente ignorado pelas gerações que estão instaladas no poder, político ou económico, em Portugal. Pode ser que, pelo facto de ser um estrangeiro que nos empresta dinheiro, comecem a dar ouvidos e a fazer algo acerca da "fuga de cérebros" e dos futuros "suportadores" da Segurança Social deste país, uma geração que está a ser desperdiçada por uma economia que teima em não apostar num modelo de desenvolvimento baseado na inovação e na alta qualificação. Estimulem e ajudem a iniciativa individual dos jovens, reconvertam as suas carreiras, para que possam trabalhar, criar e inovar no seu país.
Ontem, os senhores do FMI, vieram afimar que parte do chamado "desvio colossal" anunciado pelo executivo do Governo, mas desmentido por Vítor Gaspar e por Poul Thomsen (que o considerou irrelevante), foi parcialmente devido ao ciclo eleitoral... mencionaram-se outras razões, mas o que é um facto é que a contra-informação ou a emissão parcial de dados dissimulados orientados para um objectivo propagandístico, bate contra a realidade dos factos... só faltou mencionar a percentagem que corresponde aos desvarios de Alberto João Jardim na Madeira.

http://www0.rtp.pt/noticias/index.php?headline=46&visual=9&tm=8&t=Taxa-de-desemprego-entre-os-jovens-e-inaceitavel-e-escandaloso---Poul-Thomsen-lider-do-FMI-na-Troika.rtp&article=469760

O líder do FMI, Poul Thomsen, que integra a equipa da 'troika', classificou hoje de "inaceitável" o desemprego entre os jovens e assumiu que essa realidade o surpreende mais do que o desvio encontrado nas contas do Estado. "Desemprego jovem de 30 por cento é inaceitável, é escandaloso", afirmou Thomsen em entrevista à TVI , quando questionado sobre o que o surpreende mais no panorama nacional.

http://economia.publico.pt/Noticia/parte-da-derrapagem-nas-contas-publicas-deveuse-ao-ciclo-eleitoral-diz-o-fmi_1511816

Na primeira avaliação trimestral ao programa de ajustamento financeiro português, o Fundo Monetário Internacional (FMI) atribuiu parte da derrapagem orçamental encontrada pelo actual Governo nas contas públicas ao “ciclo eleitoral”.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Público: "Grécia falha meta do défice e põe em dúvida próxima parcela do resgate"

Será que Vítor Gaspar está atento ao que se passa na Grécia? A aposta dos gregos em políticas recessivas não está a resultar, como seria de prever!!! Mas parece que Portugal, mesmo com 1 ano e tal de observação da crise e das políticas gregas de combate ao défice e à dívida soberana, está a cair nos mesmos erros!


A Grécia não vai conseguir cumprir a meta do défice público definida para este ano, o que aparentemente levou à suspensão hoje das conversações com os inspectores da troika que estão a avaliar se o país reúne condições para receber uma nova parcela do plano de resgate em vigor.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Visão: "Governo anuncia mais impostos e congelamento de salários"

Ontem, Vítor Gaspar apresentou o Documento de Estratégia Orçamental (2011-2015) para o mandato de 4 anos do Governo de coligação. Anunciou duas taxas adicionais: uma para os contribuintes com rendimentos mais elevados e outra taxa para as empresas com lucros acima de 1.5 milhões de euros. O Ministro prevê uma receita "pouco inferior a 100 milhões de euros", justificando as medida como "parte de um conjunto de medidas de equidade social na austeridade", medidas essas que "são pedidas durante esta grave crise, grave crise que superaremos".

Para quem condenava o anterior Governo de apresentar medidas "às mijinhas", parece que este governo de coligação segue os mesmos princípios dos PECs socráticos. Mais uma vez "areia é atirada para os olhos do cidadão comum", as fortunas continuarão a não ser taxadas, fazendo novamente escapar os "ricos" do radar da austeridade do Governo. A simulação de equidade social irá penalizar a classe média alta que trabalha por conta de outrém, que também deixará de ter deduções ao IRS (isto sim, acho aceitável). Por sua vez, a ideia de taxar os lucros das empresas entram em contradição com as medidas de abaixamento da TSU, pois não é objectivo do Governo incentivar as empresas ao investimento e à criação de empregos na nossa economia? Esse dinheiro cobrado pelo Estado será aquele que, possivelmente, as empresas utilizariam para esses fins.

A redução da despesa é que está complicada... lança-se muito alarido e propaganda, especialmente pelo Ministro da Economia e das Finanças, mas até agora, para lá das intenções, sabe-se pouco relativamente à forma como irá ser feita. O que é certo é que o Ministro da Saúde lá vai fazendo o seu trabalho sem muito espectáculo para a comunicação social, cortando a torto a direito. 

Mencionam-se muitas vezes as "gorduras" do Estado, que têm de ser cortadas e tal... mas até agora o governo só tem atacado o músculo e o esqueleto, ou sejam, a função pública e as políticas sociais. O que entendo por "gordura" do Estado são as medidas despesistas e irresponsáveis da parte dos governantes em algo profundamente desnecessário, mal negociado e sem efeitos práticos para uma melhoria de vida dos portugueses. Quando referem a intenção de reduzir 10.000 funcionário públicos e o congelamento dos seus salários, por 3 ou mais anos, parece-me mais um ataque à Administração Pública e não os tais cortes a gastos supérfluos.

Nem tudo são más notícias! Parece que Vítor Gaspar tem a intenção de que os Governos Regionais da Madeira e dos Açores tenham os seus próprios programas de austeridade, fazendo-os partilhar as agruras da crise económica que se abateu sobre o país e que eles próprios, especialmente Alberto João Jardim, ajudaram a criar.

http://aeiou.visao.pt/governo-anuncia-mais-impostos-e-congelamento-de-salarios=f619928

O ministro das Finanças anunciou esta tarde uma "taxa adicional de 2,5%" para os contribuintes com rendimentos mais elevados e uma outra de 3% para as empresas com lucros acima de 1,5 milhões de euros. Os salários do setor público vão continuar congelados por mais dois anos.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Amorim e Jardim: clichés ambulantes de um político português

Carlos Abreu Amorim gosta de aparecer... ou então gosta de fazer os outros de parvos... só assim se pode compreender as duas atitudes públicas que tomou neste mês de Agosto relativamente a duas matérias que parecem distintas, mas que no fundo se encontram no mesmo patamar.
Figura 1- Carlos Abreu Amorim mostra como se fazem piruetas na coerência política.
O vice-presidente da bancada parlamentar do PSD (como independente refira-se) veio, via facebook, criticar Álvaro Santos Pereira pela sua hesitação em "descartar" o projecto do TGV em Espanha... algo em que até terá a sua razão, pois faltou coerência e assertividade ao executivo relativamente a esta matéria, contudo, a forma como o fez, ainda para mais tendo responsabilidades para com o partido pelo qual foi eleito, não foi a mais correcta, criando uma "tempestade num copo de água"... provavelmente sentiu a falta do protagonismo e visibilidade que tinha quando era comentador televisivo. 

Numa entrevista ao semanário Sol faz uma afirmação espantosa e incoerente... logo ele, que se julga o baluarte da coerência! Este senhor fez a seguinte afirmação em relação à situação financeira da Madeira: "Vai ter de haver uma solução. A Madeira também tem razões de queixa do poder central e Alberto João Jardim, que continua a ter o apoio dos madeirenses e é responsável por uma obra extraordinária, é muito injustiçado. Jardim é a personagem política contra quem se fizeram as campanhas mais ferozes em Portugal.".

É melhor rir para não chorar! Compreendo que os madeirenses engulam todas as "patacoadas" que o homem proferiu na rentrée política do PSD-Madeira, agora este indivíduo? Que se escandalizou por uma breve hesitação do Ministro da Economia sobre a manutenção do projecto do TGV, referindo que é um investimento que o Estado português não deve fazer tendo em conta a sua situação financeira... que grande coerência tem este senhor!!!

O presidente do Governo Regional da Madeira, coitadinho, veio dizer que foi obrigado, pelo governo PS, a endividar-se para manter o estilo de vida madeirense, à Big Spender, criando agora uma falta de liquidez urgente e esperando, com este Governo, solucionar a questão financeira do arquipélago. Resumindo, mais uma vez o governo do continente tem de vir limpar o "rabinho" do governo da Madeira pela "borrada" feita pelo seu presidente, que revelou uma grande falta de responsabilidade, com enormes derrapagens financeiras que aumentaram enormemente a dívida pública, esbanjando o dinheiro que tem e o que não tem, mesmo aquele que foi providenciado pelo continente para ajudar os madeirenses aquando da calamidade natural do ano passado.
Figura 2- Até Alberto João Jardim acha que Carlos Abreu Amorim perdeu o juízo.
Alberto João Jardim personifica tudo aquilo que um político não deveria ser... é irresponsável, populista, garganeiro, déspota, demagogo, cheio de "esquemas marados" para família, amigos e partido, mas Carlos Abreu Amorim é bem pior... dá cobertura a estas situações, ao mesmo tempo que tenta aparecer nos media como o paladino da coerência, mesmo que enterrado em contradições.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Diário de Notícias: "IVA sobre electricidade e gás sobe já em Setembro"

Para quem era inconcebível a proposta dos socialistas de aumento do IVA em sumos, refrigerantes, leite com chocolate, fraldas, etc., porque achavam que não eram "bens de luxo"... já no caso do gás e da electricidade consideram que esses sim, são bens integrantes dessa categoria! O aumento já estava anunciado, mas não é nada meigo e foi antecipado! Lá vou ter eu de desencantar as velas... 

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1950882

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A(s) crise(s) económica(s) do século XXI simplificada(s)

O ano de 2001 foi um ano crítico. Foi nesse ano que o presidente republicano George W. Bush iniciou a "Guerra contra o Terrorismo", ordenando a invasão do Afeganistão. Dois anos mais tarde, o mesmo presidente ordena a invasão do Iraque. Tais operações, em paralelo com outras, provocaram uma aumento substancial do Orçamento para a Defesa por parte dos EUA e dos seus aliados, que vai perdurando até aos dias de hoje.

Ora, ainda em 2001 dá-se o rebentamento financeiro da "Bolha da Internet". A especulação relacionada com as empresas de Tecnologia de Informação e Comunicação, provoca a criação de inúmeras empresas baseadas na internet, com uma valorização em alta das suas acções.  Os investidores tomaram opções de grande risco e confiança nestas empresas sem a necessária fundamentação, tanto pelo rápido aumento dos preços das acções, como pela disponibilidade de capital de risco e pela confiança e falta de regulação do mercado. Logo após o auge das suas cotações, as acções destas empresas entram em queda acentuada, o que provocou a falência, venda e fusão de muitas delas.
Para proteger os investidores, Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal Americana, decidiu orientar os investimentos para o sector imobiliário, adoptando uma política de taxas de juros muito baixas e de redução das despesas financeiras. Os intermediários financeiros e imobiliários criaram uma clientela cada vez maior para investir em imóveis, através da Fannie Mae e Freddie Mac. Atraídos pelas garantias governamentais, vários bancos de todo o mundo, acabaram por dar crédito às imobiliárias através da Fannie Mae e da Freddie Mac, criando o sistema das hipotecas subprimes, empréstimos de alto risco e de taxa variável concedidos a famílias com alto risco de incumprimento. Na realidade, eram financiamentos de casas, muitas vezes conjugados com a emissão de cartões de crédito, concedidos a pessoas que os bancos, sabiam de antemão, não terem rendimentos suficientes para poder arcar com suas prestações. Os bancos, com essas hipotecas, criaram títulos livremente negociáveis, o mercado de subprimes, que obtiveram a mais alta notação financeira dada pelas agências de rating (AAA), passando a ser vendidos para outras instituições.

Em 2005 a Reserva Federal Americana aumenta as taxas de juro para reduzir a inflação, fazendo cair o valor dos imóveis e impossibilitando o seu refinanciamento para os contraentes de risco, provocando muitos incumprimentos. Os tais títulos criados esvaziaram-se e tornaram-se impossíveis de vender a partir de meados de 2007, originando um efeito dominó que fez ruir o sistema bancário internacional.

Em 2008, o quarto maior banco de investimento dos states, o Lehman Brothers abre falência. Este banco tinha investido fortemente em títulos do mercado de subprime, o que originou a desconfiança dos analistas, que aumentou ainda mais após o colapso do banco Bear Stearns no início desse ano. O Tesouro americano ajudou, então, a JP Morgan Chase a comprar o Bear Stearns e nacionalizou as empresas de hipoteca que detinham metade do mercado americano, Fannie Mae e Freddie Mac. O Governo Federal havia anunciado medidas de emergência para facilitar o crédito estatal a empresas com dificuldades financeiras, contudo não foram suficientes para salvar o Lehman Brothers, sendo que, pouco tempo depois, outras entidades, como o banco Merrill Lynch e a seguradora AIG (a maior dos EUA) entram em bancarrota.

A falta de regulação de mercado deu lugar à falta de soluções do mercado para resolver a crise que teve desde logo um efeito sistémico nos mercados financeiros mundiais, obrigando o Governo Federal a injectar muitos milhões de dólares para salvar a AIG. O Governo de George W. Bush implementou um plano de resgate económico, um pacote de ajuda governamental de 800 biliões de dólares para evitar a falência de grupos financeiros e de imobiliário. Poderosas instituições americanas como o Citigroup e Merrill Lynch, declararam perdas colossais nos seus balanços, o que aumentou ainda mais a desconfiança, resgatou-se com dinheiros integralmente públicos algumas delas, como o American Internacional Group. Em suma, a crise do crédito de hipotecas provocou uma crise de confiança geral no sistema financeiro, que aliado à falta de liquidez bancária, paralisou o mercado de empréstimo entre bancos, o núcleo do sistema financeiro, exigindo uma forte intervenção dos Estados, através dos seus Bancos Centrais, com uma injeção de capital nunca antes vista e a conceder créditos a várias entidades financeiras, evitando o efeito dominó, com a quebra em cadeia de outros bancos.

Os pregadores do “mercado livre” acreditam que os mercados tendem a equilibrar-se de uma forma natural, em que cada individuo pode procurar livremente os seus próprios interesses, ao mesmo tempo que se alcançam os interesses da sociedade. Esta é a ideologia dominante actualmente, mas como já foi explicado anteriormente, foi a intervenção do Estado nos mercados que evitou o colapso dos sistemas financeiros. O Moral Hazard nos EUA encorajava uma expansão do crédito, em tempos de crise as autoridades financeiras iam injectando liquidez no sistema financeiro, incentivando os consumidores a endividarem-se. A regulamentação e supervisão estatal dos mercados financeiros foi desaparecendo, tornando o Estado incapaz de avaliar os riscos, abdicando dessa responsabilidade, surgindo as empresas privadas de rating, pagas pelos agentes que operam no mercado, que por sua vez também lhes fornecem a informação. Assim, nas vésperas da queda da Fannie Mae, as tais agências atribuiam-lhe uma notação financeira de risco AAA.

Em pouco tempo a crise começou a afectar a Europa e a zona Euro. Vários países da União Europeia anunciaram pacotes e linhas de crédito que ultrapassaram 1 trilião de euros para ajudar os seus sistemas financeiros. Para evitar o colapso financeiro, o governo do Reino Unido resgatou o Northern Rock, o Bradford & Bingley, o Royal Bank of Scotland, HBOS e o Lloyds TSB, a Alemanha salva o Hypo Real Estate, o estado dinamarquês, através do seu banco nacional, adquire o Roskilde Bank, no Benelux (especialmente à conta da Bélgica) são nacionalizados o Fortis e o Dexia, em Espanha, através do Banco de España, são salvos a Caja de Ahorros Castilla la Mancha e a Caja Sur. Na Letónia, o banco estatal adquiriu o Parek Bank e o Golas Bank, o mesmo acontecendo em Portugal relativamente ao Banco Português de Negócios. A Irlanda, classificada na altura, como a terceira economia mais livre do mundo pelo “The Wall Street Journal” e a “Heritage Foundation”, entra numa crise feroz que perdura até aos dias hoje, com um défice enorme, muito devido às nacionalizações da banca a que foram obrigados, caso do Anglo Irish Bank, o Allied Irish Bank, o EBS Building Society e Bank of Ireland.
A Islândia, país com um elevado nível de vida, ficou em bancarrota, pois teve que privatizar os três maiores bancos do país (Glitnir; Landsbanki; Kaupthing), entrando numa grave crise económica, tendo que mais tarde que resgatar o banco de investimento Straumur. O Governo de direita, então no poder, anunciou medidas “draconianas”, com cortes de salários e aumentos de impostos. Porém, os islandeses nas eleições seguintes elegeram a coligação de esquerda, chefiada por Johanna Sigurdardottir, que baixou o valor da moeda para tornar as exportações mais baratas, fortalecendo as indústrias locais e o emprego, equilibrando as finanças ao mesmo tempo, sendo que, neste momento, o país saiu da recessão.


A desconfiança do sistema financeiro gerou um aumento das taxas de juro para a concessão de empréstimos, prejudicando os planos de investimento das empresas e o consumo por parte da população. Um menor investimento implica uma contração das economias, provocando o desemprego, que por sua vez provoca um menor consumo, uma menor receita fiscal e maiores encargos para o Estado em subsídios e apoios sociais.

Em finais de 2009 desenvolveu-se um temor entre os investidores relativamente à dívida soberana de alguns países da União Europeia,  nomeadamente alguns membros da zona Euro: Grécia, Irlanda e Portugal. A dívida soberana (garantida pelo Estado), aliada a um défice excessivo, a uma falta de confiança dos mercados (expressa pelas notações das agências de rating) e um esfriamento da economia nos vários Estados criaram suspeitas relativamente a solvabilidade desses países, tornando os títulos de dívida pública menos seguros aos olhos dos investidores, aumentando-se as taxas de juro.
A falta de uma política económica comum da União Europeia, mesmo estando sobre uma união monetária permite que os diferentes estados-membros adoptem diferentes modelos e vias económicas, assim como "aldrabar" as suas contas para poder cumprir com as metas estabelecidas pelos alemães, que só tiveram em conta a sua realidade económica quando criaram as regras, esquecendo que os outros países encontram-se num patamar diferente de desenvolvimento,  apontando os incumprimentos somente quando são praticados pelos outros países. Como a Irlanda, Grécia e Portugal já não possuem moeda própria, já não podem utilizar o velho sistema da desvalorização da moeda pela impressão de mais dinheiro, com o qual compra dívida e ao mesmo tempo torna as exportações mais baratas e as importações mais caras. A grande preocupação da União Europeia é que o contágio se espalhe a economias com maior peso como a Itália e a Espanha, que por arrasto poderão colocar toda a comunidade em risco.
Figura 1- Défices Públicos.
No caso da Irlanda, a completa liberalização da sua economia e a pouca supervisão e regulação do Estado fez com que o seu sistema financeiro tivesse entrado em falência na sequência da crise dos subprimes, obrigando o Estado a nacionalizar os bancos, o que resultou num aumentar enorme do seu défice e da dívida pública. Tornou-se inevitável recorrer aos empréstimos do FMI, com o consequente corte na despesa do Estado e aumento generalizado de impostos.


A economia grega no início dos anos 2000 estava a crescer a um bom ritmo, numa taxa anual de 4.2%, atraindo muito capital estrangeiro, o que permitia disfarçar o grande défice estrutural criado para financiar o emprego público, pensões e outros benefícios sociais. Com a adesão ao euro a Grécia beneficiou de taxas de juro mais baixas para o crédito, mas a crise económica acabou por afectar as principais actividades económicas do país (turismo e industria naval), expondo as suas fragilidades. O Governo de direita grego, para cumprir os objectivos do Pacto de Estabilidade da Zona Euro (défice até 3% e dívida pública inferior a 60% do PIB - as "regras de ouro" da Alemanha), “modificaram” relatórios e os dados estatísticos sobre o seu estado económico através da ajuda do Banco norte-americano Goldman Sachs, com swaps que escondiam o real nível de endividamento a que os gregos se vinham submetendo, mantendo a Comissão Europeia “às escuras” sobre esta matéria. A desconfiança dos mercados aumentou fortemente relativamente à Grécia, que entrou em risco de incumprimento, sendo obrigada a recorrer à ajuda do FMI e da União Europeia (posteriormente através do Fundo Europeu de Estabilidade Europeia), que em troca exigiu a tomada de medidas “draconianas” para colocar o país nos eixos, através da redução do défice e a dívida pública, a tal austeridade financeira. O novo governo grego, do socialista George Papandreou, teve de cortar com o investimento público, nas despesas do Estado e aumentar os impostos, ao mesmo tempo teve que lidar com a oposição política do anterior Governo e da sua população. Uma grande instabilidade que só aprofundou a recessão económica e colocou o rating da dívida do país no nível de “lixo”.
O caso português vem de um problema estrutural de várias décadas, caracterizado pela falta de competitividade e de produtividade da nossa economia, acompanhada com aumentos dos gastos do Estado e da partidarização da administração pública através de redes de clientelagem. Este é um problema que advém desde as legislaturas de Cavaco Silva, que não foram devidamente contrariadas durante os governos de Durão Barroso e do socialista José Sócrates. Cavaco Silva aproveitou a época das "vacas gordas", dos enormes fundos estruturais da União Europeia para construir várias infraestruturas, aumentar o emprego público, ao mesmo tempo que desperdiçava dinheiro comunitários e apoiava a política da União Europeia de acabar com a produção dos agricultores e pescadores portugueses, apostando num crescimento económico com base no consumo e nos serviços. António Guterres prosseguiu a mesma política, mas quando Portugal chegou ao Governo de Durão Barroso descobriu-se que o país estava de "tanga", procurando-se combater isso através da redução da despesa do Estado, mas especialmente pelo aumento de impostos. O objectivo de entrar na zona Euro lá foi conseguido, muito graças a receitas extraordinárias e ao aumento de impostos, apesar do país não estar preparado em termos estruturais para a mudança. José Sócrates, apesar do interregno irresponsável de Santana Lopes, prosseguiu com a política de Barroso, mas continuaram a faltar verdadeiras reformas estruturais para fazer crescer a economia portuguesa, pelo que não foi novidade a queda de Portugal aos pés da especulação dos mercados quando a crise mundial "bateu à porta" e expôs a real situação do país, tendo sido obrigado a recorrer ao FMI e à Comissão Europeia e às contrapartidas que isso implica.

Apesar de Portugal ter recebido ajuda internacional e de ter entrado um Governo liberal de direita com a promessa de uma maior austeridade, com cortes nos gastos do Estado e com um aumento de impostos, o nível de notação é colocado no "lixo" em 2011, reforçando o que é óbvio, que Portugal vai entrar numa recessão profunda, com mais desemprego, menos investimento económico e menos receita fiscal, entrando em risco de incumprimento, o que faz questionar toda uma política mundial de como combater a crise.
A crise da divída soberana teria de vir bater à porta dos EUA. O aumento dos gastos do Governo Federal, especialmente devido à política de Defesa e de salvamento do sistema financeiro americano iniciada pelos Republicanos, levaram à necessidade do presidente democrata Barrack Obama de elevar o tecto orçamental da dívida para o país não entrar em incumprimento. Os democratas têm o plano de cortar 1.5 triliões de dólares nos gastos federais em 10 anos, assim como um aumento de impostos que afectará também os mais ricos, os denominados "job creators" pelos republicanos, avessos a esta medida, bloqueando a resolução de aumentar o tecto da dívida na Câmara dos Representantes, impulsionado pela sua ala radical, o Tea Party.

Os republicanos,desde Ronald Reagan, têm sido os grandes responsáveis pela maior parte das vantagens e insenções fiscais concedidas aos milionários e às grandes empresas e grupos económicos, que estão actualmente no patamar mais baixo de sempre, comprometendo receita fiscal do Estado e exigindo mais sacrifícios à classe média. Como são os republicanos que controlam o Congresso, a defesa por esses privilégios é acérrima, alegando que a sua eliminação prejudica a economia. Porém, o Presidente norte-americano afirmava que «não será aceitável» impedir o aumento do tecto da dívida do país e manifestou a intenção de evitar uma situação de incumprimento pelos EUA, e exemplificou com os administradores de fundos de risco, que não deviam pagar menos impostos que as suas secretárias, e que não se deviam continuar a conceder benefícios especiais a empresas de petróleo capazes de lucrar dezenas de milhares de milhões de dólares. 
Os Republicanos e Democratas lá chegaram a um consenso que permitiu aumentar o tecto da dívida americana, contudo, tal não evitou que as agências de rating baixassem o nível de notação dos EUA, o que tem provocado mini-crashes da Bolsa um pouco por todo o mundo.

TO BE CONTINUED...

Questões:
1- Se o Estados foram fundamentais para evitar o colapso do sistema financeiro e se a auto-regulação dos mercados não funciona, porque é que os Estados se têm demitido da regulação e supervisionamento da economia?
2- Se a política de austeridade não resulta, havendo o perigo cada vez maior de incumprimento, porque é que não se tenta outra abordagem?
3- Porque é que o liberalismo está na moda se foi ele que nos colocou nesta trapalhada?

4- Porque é que a classe média leva sempre com grande parte da austeridade em cima? Uma classe média forte, com poder de consumo, não é extremamente importante para a economia?

5- O aumento do fosso entre os mais pobres e os mais ricos numa sociedade de consumo não estará na origem de motins e de vandalismos um pouco por todo o mundo?

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Jornal de Negócios: "Bic laranja, bic Cristal" (Pedro Santos Guerreiro)

Que péssimo negócio para o Estado português... depois de enterrarmos tanto dinheiro no BPN para salvarmos o sistema financeiro português, ainda sem condenação dos culpados pelas falcatruas que se passaram naquele banco, e ainda acabámos por vendê-lo ao desbarato ao BIC, presidido pelo "laranja" Mira Amaral, ministro de 3 Governos constitucionais liderados por Cavaco Silva, famoso cliente do BPN, tal como Dias Loureiro. 
Custa-me a acreditar que este foi o negócio possível, até porque, ao que parece, não se quis conversar com o Montepio, afunilando-se as conversas com o banco de capital angolano. O BIC, por sua vez, irá fazer uma reestruturação ao BPN, despedindo metade dos actuais trabalhadores, cujas indemnizações ficarão a expensas do Estado português. Se era para isto, mais valia estarmos quietos! Esta crónica de Pedro Santos Guerreiro toca na ferida...

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=499623

terça-feira, 19 de julho de 2011

Público: "Macário dá como “inevitável” introdução de portagens na Via do Infante"

Com este tipo de "vira-casacas" é que a política e os políticos se descredibilizam aos olhos da população. Estão pela defesa das pessoas ou do partido? Foi assim em relação ao fecho de escolas, à avaliação dos professores, ao encerramento de urgências nocturnas... o que antes se "gritava" como estando mal e incorrecto, agora sussura-se que é necessário e inevitável, tudo isto a partir de uma mudança de governo.


Depois de ter sido um feroz opositor da introdução de portagens na Via do Infante no âmbito do programa de alteração do projecto, Macário Correia afirmou hoje, em declarações à TSF, que compreende o ponto de vista do Governo e que as portagens naquela via que cruza o Algarve são “inevitáveis”.