sábado, 3 de novembro de 2012

Expresso: "Única reserva portuguesa do lobo ibérico está em risco "

O Centro de Recuperação do Lobo Ibérico (CRLI) em Mafra corre o risco de ficar sem boa parte do seu território se em 5 anos não conseguir angariar o dinheiro para o adquirir. O centro foi criado em 1987, pelo Grupo Lobo, com o objetivo de providenciar um ambiente adequado para lobos em cativeiro e, ao mesmo tempo promover ações de divulgação e sensibilização que informem o público sobre a verdadeira natureza do lobo. É visitado anualmente por cerca de 6.000 pessoas, sobretudo alunos, possuindo também um Programa de Voluntariado acessível a pessoas maiores de 18 anos e interessadas na conservação da vida selvagem, assim como um Programa de Adoção, que possibilita o apadrinhamento de um ou mais lobos, e assim contribuir para a sua alimentação e conservação.
O lobo-ibérico (Canis lupus signatus) é uma subespécie do lobo-cinzento que vive na Península Ibérica. É uma espécie ameaçada de extinção, muito devido ao seu extermínio pelas populações rurais, pelo temor do ataque ao seu gado, mas também pelo progressivo desaparecimento das suas presas naturais. Nos inícios do século XX os lobos ocupavam quase na totalidade o território continental português, porém, em pleno século XXI, calcula-se que os lobos ocupem apenas 20% dessa área de distribuição. O lobo é ainda ameaçado pela destruição da vegetação nativa e pela construção de grandes infraestruturas, como autoestradas, que fragmentam os seus habitats. 
Figura 1- Lobo ibérico.
Esta subespécie é menor do que a generalidade dos lobos-cinzentos, sendo que o tamanho deste predador varia entre 1m30 e 1m80, pesando entre 25 a 40kg, com os machos a atingirem tamanhos maiores do que as fêmeas. A cabeça dispõe de orelhas triangulares algo pequenas e olhos oblíquos de cor amarelada, sendo que o focinho tem uma área clara, de cor branco-sujo, ao redor da boca. A pelagem é de coloração heterogénea  que vai do castanho amarelado ao acinzentado com misturas de preto, particularmente sobre o dorso. Na parte anterior das patas dianteiras possuem uma característica faixa longitudinal negra.

O lobo vive em alcateias, que variam no seu número, mas podem chegar aos 10 indivíduos, que são liderados por um casal alfa para caçar e defender o seu território. São grupos sociais com uma forte hierarquização, sentido de cooperação e inter-ajuda, permitindo-lhes caçar animais de maior porte. Os indivíduos de uma alcateia percorrem uma área vital que varia em tamanho, de acordo com as características da região, mas em Portugal as áreas vitais são relativamente pequenas, entre 100 e 300 km². Os lobos em busca de presas podem percorrer entre 20 a 40 km diários dentro do seu território, ocorrendo geralmente de noite. A sua alimentação é variada, todavia, as suas principais presas selvagens deste predador são o javali, o corço, o veado e eventualmente a lebre, porém, a escassez destes animais leva-os a atacar animais domésticos, nomeadamente gado (ovino, bovino e caprino) e galinhas. O lobo também pratica a necrofagia, ou seja, alimenta-se de cadáveres de outros animais.

A época do acasalamento dos lobos abrange o final do Inverno e início da Primavera (fevereiro a março). Após um período de gestação, que dura cerca de 2 meses, poderão nascer cerca de 3 a 8 crias, que passado uns meses (por volta de outubro) passam a acompanhar as deslocações da alcateia, mas os lobitos só atingem a maturidade aos 2 anos de idade, chegando à velhice por volta dos 10/12 anos (em cativeiro podem viver até aos 17 anos).
Figura 2 - Território atual do Lobo Ibérico
Calcula-se que existam na Península Ibérica cerca de 2.000 lobos, dos quais 300 em território nacional, confinados às regiões do Minho, Trás-os-Montes (com 50 alcateias) e Beira Interior (com 10 alcateias). As áreas de proteção portuguesas para a preservação do lobo são o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Parque Natural do Alvão, o Parque Natural de Montesinho, o Parque Natural do Douro Internacional e a reserva natural da Malcata.

Em Portugal o lobo-ibérico é classificado como espécie "em perigo" (Livro Vermelho dos Vertebrados ICN, de 1990) enquanto que em Espanha é classificado como "vulnerável". A população de Lobos Ibéricos tem vindo a aumentar devido aos esforços de conservação tanto em Portugal como em Espanha. As causas do seu declínio, para além da perseguição direta das populações através da caça ou envenenamento, relacionam-se com a destruição do seu território vital, pela diminuição de presas silvestres e pelo aumento de cães selvagens, com os quais competem por zonas de caça. Para sobreviver necessita de áreas vitais para a caça, tendo esta de dispor de alimentação natural selvagem, tendo que haver um esforço adicional para a reintrodução de cervídeos. As indemnizações às populações rurais pelas baixas nos seus rebanhos têm de ser mais céleres e desburocratizadas, para além do mais, têm de haver uma ação mais efetiva na captura de cães selvagens, cujo rastro de destruição é muitas vezes confundido com o dos lobos, sendo que estes estragos não são indemnizados.

Figura 3- Programa Terra Alerta da SIC sobre a Proteção do Lobo Ibérico na Serra da Peneda.

Figura 4 - Reportagem da TVI sobre Proteção do Lobo Ibérico na Serra da Lousã.

Figura 5 - Programa "Portugal Selvagem" da RTP sobre o Lobo Ibérico.



Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, único em Portugal, pode encerrar por falta de verbas para aquisição do terreno onde se encontra, em Mafra. Conheça a reserva e saiba como pode ajudar a evitar a extinção desta espécie.


O Grupo Lobo corre o risco de perder os 17 hectares que albergam em Mafra oito exemplares destes animais. A situação começou em meados deste ano, quando a fundação suíça, Bernd Thies, pediu 154 mil euros pelo terreno da reserva, que desde há 25 anos é usado gratuitamente para o efeito.  

"Não deixe os lobos sem abrigo" foi o slogan da campanha internacional que decorreu de 25 de julho a 28 de setembro e que permitiu arrecadar já 50 mil euros. Agora, o Grupo Lobo tem cinco anos para reunir a restante quantia e garantir o espaço que mantém a continuidade da espécie.  

No portal do Centro de Recuperação do Lobo Ibérico é possível encontrar várias formas de contribuir para esta causa: ligando para o número 760 450 044; fazendo um donativo por transferência bancária; tornando-se sócio; apadrinhando um dos lobos ou, simplesmente, visitando a reserva que - garante quem já o fez - é uma experiência gratificante, com a particularidade de ser low cost, já que a expedição custa no máximo 5 euros.
Saiba como chegar à reserva, bem como outras informações importantes, através do site: http://lobo.fc.ul.pt .

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